Escreve sobre o simples

Você não precisa ter inventado a roda para ser genial na escrita. A sua escrita não carece de pirotecnia para tocar, seja a você mesma ou a quem você deseje mostrar. Escrever é ato democrático. E simples. Todo mundo pode, porque todo mundo tem uma história qualquer para contar. Eu posso escrever sobre o café que acabei de tomar, agora no final da tarde, acompanhado de um doce folhado de goiaba. Posso também ir mais fundo, narrando que o doce quente derretia a goiaba em minha boca, combinação perfeita consumada a cada gole sorvido de café. O que me leva à infância, quando cotidianamente havia a hora da merenda, o lanche da tarde, produzido ligeiramente por minha avó. Sempre tinha suco de laranja, pão torrado e aquele café passado na hora para os adultos. O aroma que invadia aquelas metades da tarde até hoje está em mim. É aroma de alegria, é cheiro que me lembra afeto e reunião, pausa no brincar, ou no trabalho, para poder estar. Era festa até o lavar as mãos e acomodar junto aos primos para comer rapidamente já que queríamos voltar ao quintal das brincadeiras. Os adultos ficavam mais um bocadinho, ali, à mesa da cozinha, trocando ideia sobre o dia e os afazeres que ainda teriam. Era época de sorriso, gentileza e companhia. Ao tomar meu café hoje, ao final da tarde, lembrei que mesmo só, sou casa cheia, carrego em mim quem já foi, mas que me fez ser quem sou. E, olha, espia bem, ia só mostrar como escrever é ato simples. Tenta daí, depois me mostra.

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