Escrever é arte criada por mim

Ao escrever nos tornamos artistas. Deixamos escorrer pela ponta dos dedos a nossa emoção, feito tinta fosse, colorindo os papéis. Nos tornamos artistas ao imaginar o que ainda iremos fazer, ao sonhar com o tudo que ainda desejamos criar. Escrever é revolucionário. É poético, doloroso, desconcertante e arrebatador. Encanta, deslumbra, alerta, aprofunda. É de imaginação que carece uma boa escrita, criatividade pulsando e permissão para fantasiar. Mas é de disciplina também que a escrita precisa. Como a arte, não é num piscar de olhos que um espetáculo ou uma obra se finaliza. São necessários dias e dias de treino, estudo, dedicação e amor ao que está nascendo. A escrita exige o mesmo de nós. Mas não como uma tirana ou censora rabugenta. A escrita nos devolve a confiança no nosso próprio caminhar e abranda a tola pretensão de que somos autossuficientes. Ela mostra que a vida é feita de encontros, com nós mesmas, com os outros. Com as emoções e sentimentos mais inesperados. É lindo o processo da escrita diarística e confessional, quando guiado pela intuição. O que surge como consequência de cada entrega é tudo aquilo que a alma já não renega. Ser artista é ser alguém que des-blinda a sua história, destrava a sua memória. A escrita intuitiva que proponho é tecida por muitas linhas, de muitas cores, costura amor, expectativa e dores. Porque somos tudo isso. Não dá para lamentar o que já foi. Isso é um trabalho hercúleo e desnecessário, que serve apenas para travar o fluxo que a escrita impõe. Ao me apegar ao que não fiz ou àquilo que fizeram comigo, desestruturo meu pensamento e interrompo a continuidade do que pretendo. Escrever intuitivamente é arte criada pela nossa própria narrativa, cujo roteiro é de nossa autoria.

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